LINHA DO SABOR.
O PERCURSO DE NATUREZA DA LINHA DO SABOR – GR24.
A linha ferroviária do Sabor remota ao primeiro quartel do Século XX, destinada inicialmente a escoar o minério de ferro extraído em Reboredo, constituía o principal meio de transporte de pessoas e mercadorias entre o Planalto Mirandês e o litoral. Suspensa na década de 80, este percurso permite atravessar por via pedonal ou em BTT uma área de elevada importância paisagística e ecológica, contactando com diversos elementos da paisagem, da geologia, da flora, da fauna e do património arquitectónico desta Área Protegida.
DESCRIÇÃO DO PERCURSO GR24.
O percurso completo pode iniciar-se na Estação de Duas Igrejas, seguindo tudo para sul, ou na Estação de Freixo de Espada à Cinta, seguindo tudo para norte. A extensão total é de 62 km sendo facilmente percorrido em 1 dia (BTT) ou 2 dias de jornada (a pé), através da própria via ferroviária ou por caminhos vicinais que lhe são paralelos sempre que essa via não se encontre transitável devido ao crescimento de vegetação ou existência de amontoados de terra ou gravilha. Caso deseje realizar um passeio mais curto pode escolher um qualquer troço da linha ferroviária entre estações (todas possuem acesso a estrada).
PERCURSOS ALTERNATIVOS.
Na região em redor do GR24 existe um conjunto de outros sugestivos percursos (Antiga Via Romana próximo de Duas Igrejas;freguesia de Picote, serras de Mogadouro, Linha do Sabor de Freixo de Espada à Cinta até Pocinho, etc.) que presentemente não são caracterizados nem sinalizados, devendo o visitante munir-se de cartografia à escala 1/25000 e obter informação nas localidades próximas. Relativamente aos outros percursos de natureza dentro do Parque Natural do Douro Internacionalsugerimos que contacte esta área protegida.
RECOMENDAÇÕES.
Não realize percursos pedestres sozinho
Use roupa e calçado confortável
Nos períodos mais frios e chuvosos, use roupa quente e impermeável
Leve sempre água e alimentos para percursos mais longos
Não se aproxime dos precipícios
Utilize apenas os caminhos públicos, preferencialmente os sinalizados
ATENÇÃO.
Evite o ruído e a perturbação da fauna, pois, para além de ser prejudicial para algumas espécies, dificulta a sua observação (a aproximação a ninhos é proibida)
Ajude-nos a manter o parque limpo, leve o lixo consigo até ao contentor mais próximo
O fogo pode ser muito perigoso, por favor não faça lume tenha cuidado com as beatas dos cigarros.
A REDE DE PERCURSOS DE NATUREZA DO PARQUE DO DOURO INTERNACIONAL.
O Parque Natural do Douro Internacional, classificado em 1998, localiza-se no Nordeste do país, abrangendo os vales escarpados dos rios Douro e seu afluente Águeda, assim como uma ampla faixa planáltica. Nesta superfície de 85 000 ha concentra-se um conjunto notável de valores paisagísticos, naturais e socio-culturais, que esta Área Protegida quer salvaguardar mas também promover em termos de educação ambiental e de turismo de Natureza. Nesse âmbito foram identificados, diversos percursos de Natureza (Pequenas Rotas e Grandes Rotas), a partir de antigos trilhos e caminhos públicos, que estão agora homologados pela Federação Portuguesa de Campismo e possuem sinalização no terreno.
PAISAGEM/VEGETAÇÃO.
O percurso atravessa uma porção considerável de paisagem rural característica do Planalto Mirandês com lameiros, carvalhais, sobreirais, terrenos cerealíferos, distribuídos de uma forma que alguns autores designam por Paisagem de Bocage. Esta configuração em mosaico resulta da alteração do coberto vegetal primitivo através de um sistema de aproveitamento agro-pecuário extensivo, constituindo um verdadeiro modelo de utilização sustentável dos recursos silvestres.
GEOLOGIA.
A linha férrea do Sabor, entre as estações de Freixo de Espada à Cinta e Duas Igrejas, apresenta um excelente corte geológico nas litologias mais características do NE transmontano (rochas metassedimentares, nomeadamente xistos e quartzitos da idade câmbrica e ordovícica em quase todo o percurso); granitos (ex: Bruçó); depósitos detríticos conglomeráticos a argilosos de idade miocénica (ex: imediações de Sendim). O seu traçado percorre uma extensa superfície aplanada, entre as cotas de 750 e 800 m, correspondente em termos geomorfológicos à superfície Fundamental da Meseta. Ao longo do seu trajecto a via férrea contorna algumas elevações, que atingem cerca de 1000 m, correspondendo a rochas quartzíticas (Serra do Variz) deixadas em relevo por erosão diferencial.
FAUNA.
Ao longo desse percurso é possivel observar diversas espécies da fauna desta região, principalmente as aves associadas a biótopos agro-florestais, entre as quais assinala-se Milhafre-real, o Açor, o Tartaramhão-caçador, o raro Sisão, a Poupa, os corvídeos, o Torcicolo, o Peto-verde, o Pica-pau-malhado-grande, as felosas, etc. Em termos de mamíferos silvestres regista-se a presença do Javali, do Corço e do Lobo. Dada a proximidade com as "arribas" do Douro é comum observar as grandes aves de rapina casos do Grifo, Abutre do Egipto e Águia-real.
ASPECTOS SÓCIO-CULTURAIS.
Presença de elementos notáveis da arquitectura ferroviária (em todas as estações e apeadeiros) e da arquitectura tradicional (cruzeiros, pombais, picotas, fontenários, capelas e casario antigo nas diversas povoações ao longo da ferrovia). Na zona norte do percurso ( a partir dos arredores da estação dos Urrós) existe um caminho vicinal designado por Antiga via Romana, paralelo em alguns troços, que segue depois de Duas Igrejas até à raia Espanhola.
Fonte: Nordeste Digital
David Parelho