METRO MONDEGO JÁ TRANSFORMA CENTROS URBANOS.
ALVO DE POLÉMICAS, O METRO MONDEGO PERMITIU JÁ ALGUMAS RENOVAÇÕES URBANÍSTICAS.
A Câmara de Coimbra, após ter rejeitado o futuro traçado urbano do metro na Solum, acaba de aprovar a localização das paragens no único troço do projecto que não pode suscitar dúvidas na cidade: o centenário ramal ferroviário da Lousã.
Carlos Encarnação, presidente da Câmara de Coimbra, a principal autarquia envolvida no projecto, reclama que o Governo garanta por escrito que a electrificação será realizada, de uma só vez, em todo o trajecto do Ramal da Lousã.
A Câmara, de maioria PSD-CDS-PPM, quer que a electrificação, a 750 voltes, não pare em Coimbra-Parque, reivindicando que chegue em simultâneo a Coimbra B. O presidente da Metro Mondego, Álvaro Maia Seco, tem afirmado que a electrificação da via-férrea em toda extensão não está em causa.
As obras deverão arrancar em 2009 e demorar pelo menos dois anos, prevendo a empresa que os primeiros veículos “tram-train” comecem a circular em 2011.
No dia 16, 48 horas depois de uma visita do primeiro-ministro a Coimbra, Encarnação voltou a exigir que o executivo de José Sócrates assuma aquele compromisso «preto no branco».
A Câmara Municipal não deixou de aprovar, nesse mesmo dia, as paragens urbanas e suas designações.
Encarnação recusa ainda que sejam as câmaras a cobrir os défices de exploração do metro, como acontece em Coimbra com os Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos (SMTUC).
Em Maio, os SMTUC inauguraram um novo itinerário de trólei, ligando a Alta e a Solum, zona onde deverá passar também o metro, segundo o traçado chumbado há três meses pela autarquia.
Numa revista editada para assinalar os 100 anos da municipalização dos transportes urbanos, Encarnação realça que, apesar do «difícil equilíbrio entre serviço público e sustentabilidade», os SMTUC «tratam de modo especial os cidadãos com maior fragilidade económica».
Na Baixa, a Cooperativa Agrícola quer construir um novo edifício, mas espera pelo licenciamento há seis anos, já que a Câmara faz depender a sua decisão do futuro do metro, que ali ligará em “T” à ferrovia.
Favorável a um transporte urbano do tipo metro de superfície, o gerente da instituição, Joel Figueiredo, afirma à Lusa que a Câmara «não tem demonstrado vontade» de atender a pretensão da Cooperativa e lembra que, ali ao lado, o prédio da Loja do Cidadão foi construído prevendo a passagem do metro.
Augusto Paulo, antigo director do jornal “Mirante”, de Miranda do Corvo, teve sempre, nestes 15 anos, uma posição crítica face ao metro.
«Vai ser um estorvo para o trânsito em Coimbra, uma cidade de ruas estreitas e inclinadas», vaticina, rejeitando que o comboio dê lugar ao metro no Ramal da Lousã.
O fabricante do “Licor Beirão”, José Redondo, da Lousã, preconiza o regresso do transporte de mercadorias à ferrovia local.
Vera Silva é dona do café “O Trem”, junto à estação ferroviária de Miranda, tendo como clientes pessoas que utilizam o comboio. «A maioria delas dizem que o metro será mau», designadamente «ao nível financeiro», declara à agência Lusa.
Mas Álvaro Maia Seco, presidente da Metro Mondego, tem afirmado que será mantida a natureza social do serviço de transporte.
Fonte: Diário de Coimbra
David Parelho