MOVIMENTO ENTREGOU ABAIXO-ASSINADO EXIGINDO ESTUDO ALTERNATIVO AO METRO MONDEGO.
Um abaixo-assinado com quatro mil assinaturas foi entregue pelo Movimento de Defesa do Ramal da Lousã (MDRL) no Governo Civil de Coimbra, exigindo um estudo alternativo ao projecto de metro previsto para a linha.
“Não tramem a nossa linha” ou “Não danifiquem electrifiquem” eram alguns dos cartazes que os cerca de meia centena de utentes empunhavam na entrega de uma petição do Movimento de Defesa do Ramal da Lousã (MDRL) a exigir ao Governo um estudo alternativo ao projecto de metro previsto para a linha.
O abaixo-assinado exige que não «se avance para nenhuma transformação, sem que haja um estudo sobre os custos e benefícios para os utentes», entre electrificar o Ramal e colocar novo material circulante e a instalação de um metro ligeiro de superfície.
Isabel Simões, do MDRL, disse que o resultado da petição é «imprevisível», mas mostrou-se esperançada num recuo do Governo, à semelhança do que aconteceu no projecto da Ota ou no encerramento das urgências de Anadia.
O abaixo-assinado tem como primeiro destinatário o primeiro-ministro, seguindo-se o presidente da Assembleia da República, Câmaras Municipais de Coimbra, Lousã e Miranda do Corvo e à administração da sociedade Metro Mondego.
«Se for necessário vamos para a rua. Temos o exemplo de Anadia que saiu à rua quantas vezes foram necessárias para conseguir os seus objectivos», afirmou a activista depois de entregar o documento no secretariado do Governo Civil, face à ausência dos representantes políticos, no que foi acompanhada por cerca de meia centena de utentes.
«O que podemos garantir é que não vamos ficar por aqui. Vamos querer fazer chegar a nossa voz da maneira e da forma que for preciso», enfatizou Isabel Simões.A petição exige ainda que «qualquer alteração» garanta a «manutenção ou redução dos preços das tarifas cobradas, aumento da velocidade do transporte, número de lugares sentados, frequência do transporte, redução do impacto ambiental, manutenção da ligação à rede ferroviária nacional e a gestão pública do Ramal».
«Este ramal não tem investimentos de fundo por parte da CP e da REFER há mais de vinte anos», referem os promotores do abaixo-assinado, acrescentando que «pouco se conhece das alterações que se pretende», apesar de existirem «dados que poderão colocar em causa a manutenção do serviço prestado».
O movimento recorda que «o Ramal da Lousã transporta mais de um milhão de passageiros por ano e tem uma importância fundamental para os utentes que o usam, garantindo a sua deslocação para o trabalho, mas também o acesso aos mais variados serviços públicos como os estabelecimentos de Educação e de Saúde».
Para aquela linha, que liga Coimbra a Serpins (Lousã), e para a cidade de Coimbra, o Governo tem previsto a instalação de um metro ligeiro de superfície do tipo “tram-train” – com capacidade para circular nos eixos ferroviários, urbanos, suburbanos e regionais, designado por Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM).
Isabel Simões adiantou ainda à Lusa que, em data a designar, será efectuada uma viagem de autocarro entre o trajecto Coimbra e Serpins, ao final da tarde, em hora de ponta, para os utentes verificarem «o inferno rodoviário» que serão os transportes alternativos se a linha for encerrada por causa do projecto de instalação do metro.
Fonte: Diário de Coimbra
David Parelho